Olhos acesos para dormir
Com rostos, perfis, sem discutir
Ao lento movimento, as mãos
Direitas, puxam o gatilho, se aproximam
Desperta do sono vem ao encanto
Desfruto das folhas caindo, outono
De gotas de riso, escorre o orvalho
Ao rir do próximo, e eterno amado
Te joga, te cospe na água
Com os lábios, vem a prova
Não estraga, te bebe, quase nada
Nas folhas, os versos de tudo
Em sua alma não governa meu mundo
Pedidos, em mim dentro, perdidos
Que sobre o rastro de vista
Te olho, de quando em visita
Te chora, por dentro que grita
Amor que encosta e habita
Não se sabe aonde vai, ou se fica
Construi a magoa na areia
Tempestade empurra, maré vem cheia
Inundam suas linhas mais finas
Descostura, assassina a menina
Intenso é o vento que encobre
Balança, enriquece meu coração pobre
Engana que pensa, o breve, passageiro
Pois ainda sopra, guiando o veleiro
Em mar escuro há certa magia
Enfim naufraga, engasgada na ilha
Há mato, azul céu e calmaria
Onde lá encontro paz e alegria
Eu vou, abraço o sol
E sozinha, beijo a poesia.
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