
Abra a porta, Branca
Esclareça para mim
Feche os braços, abra os olhos
Empurre minha maçaneta
E gire a minha cabeça
Aperte a madeira
Até a farpa enroscar em minha pele
Devagarzinho puxe com a tesoura
Os cortes de quando eu beijei o vidro
Apague os desenhos do meu corpo
Porque dói de mais deixá-los ao sol
Pois arrancaram minhas janelas
E meu teto não é revestido
Amarraram-me a um colchão de papel
E furtaram minha alma
E o sol foi sucumbido
Deixando você somente do outro lado
E agora ele queima sem parar
Castiga-me por traí-lo
E me culpa por te amar
Branca, só sei gritar, chorar
As suas crateras não são defeitos
São esconderijos que me tiram dessa dor
Meu corpo geme sem parar
Devolve minhas janelas para eu te olhar
O seu crescer, diminuir, encher
O sol pode ser forte, imenso, caloroso
Mas impossível de se olhar
Mas as suas fases, a sua cor, todos podem ver
Eu te olho nos olhos, só eu sei admirar você
Ahh Branca não salve todos, me salve do sol
Não ilumine todos, me ilumine agora
Não ame todos, Branca seja minha, pra sempre.
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