sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Lua


Abra a porta, Branca

Esclareça para mim

Feche os braços, abra os olhos

Empurre minha maçaneta

E gire a minha cabeça


Aperte a madeira

Até a farpa enroscar em minha pele

Devagarzinho puxe com a tesoura

Os cortes de quando eu beijei o vidro


Apague os desenhos do meu corpo

Porque dói de mais deixá-los ao sol

Pois arrancaram minhas janelas

E meu teto não é revestido


Amarraram-me a um colchão de papel

E furtaram minha alma

E o sol foi sucumbido

Deixando você somente do outro lado

E agora ele queima sem parar

Castiga-me por traí-lo

E me culpa por te amar


Branca, só sei gritar, chorar

As suas crateras não são defeitos

São esconderijos que me tiram dessa dor

Meu corpo geme sem parar

Devolve minhas janelas para eu te olhar

O seu crescer, diminuir, encher
O sol pode ser forte, imenso, caloroso
Mas impossível de se olhar

Mas as suas fases, a sua cor, todos podem ver

Eu te olho nos olhos, só eu sei admirar você

Ahh Branca não salve todos, me salve do sol

Não ilumine todos, me ilumine agora

Não ame todos, Branca seja minha, pra sempre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário