segunda-feira, 25 de julho de 2011

Batimento




















Esses meu olhos
Condenam meu sentimento por ti
Meus dias são a jornada
Caminho de sangue quente até você

Eu vou voar durante cada noite
Quero a estrela e tua lua mais luminosa
Ser sua paz e até luxuria de amor
E invadir o esconderijo do teu céu

Eu não me movo mais
Desde que você encostou a porta
Todas as horas estão perdidas
Sinto ainda o ponteiro preso na maçaneta

Não quero precisar de mais nenhum jogo
Não devo ser a derrota do teu
Eu quero ser a conquista dos teus lábios
E se eu cair, que haja um poço branco da tua luz

Nada é tão musical quanto os agudos de tua voz
Eu poderia ser a sua melodia
Então cante todos os dias
Pra que eu viva em seus melhores sons

Tem de mim a terra viva
Os olhos aflitos e acesos
Coração selvagem e regado
Corpo de vidro maciço

Das aguas do teu céu
Só jorram os cristais da alma
E suas pupilas encharcadas
Choram as gotas azuis

Em sua vida eu me ajoelho
Em seu nome eu me apresso
Em seu destino eu tropeço
Então me seguro em você

Depois da queda
E do sono cheio de dor
Ele chega, golpeia-nos
Sutil nos sonhos eternos

Incapaz de nos matar
O amor, das vidas entregues
Matou o que era frio e calado
E levou ao céu a batida do nosso coração.

Desejo amplo

  


















Eu vou estar com você
Buscar seus sonhos pra realizar os meus
E tirar esse medo que me consome todos os dias
E se nunca conseguir?
E se nunca progredir?
O que serei de mim se o resto que eu tenho é só seu
Nem o ar é tão meu quanto é tanto seu
Eu preciso mais de você do que já precisei de mim
Eu quero seu sorriso na minha janela
A sua boca no meu espelho
As suas palavras nos meus livros
Eu quero ser seus dias e suas noites
Suas histórias e seus sonhos
Quero estar em cada movimento dos teus olhos
E em cada paz depois de todas as guerras
Você precisa dizer que está
Dizer que sempre será
E gritar que vai
E depois de tudo isso
Só precisa ouvir que estarei
Que sempre serei
E gritarei também que vou
Só precisar ouvir também
A nossa frase mais viva
De alimento, de ar, de sangue
E o que sobra é o que há mais
Todas as cores e flores de amor.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Cinzas


Quando quiser aparecer
Me faça retornar
Quando pedir pra não me ver
Me faça te encarar

E quando o sol aparecer
Me faça queimar
E quando o cérebro ferver
Me faça evaporar

Por você eu faria todo dia
Pegaria a chama no teu olhar
E por você eu morreria
Eu morreria devagar

Quando brigar sem razão
Eu juro que não vou ligar
Me faça ser o portão
E pode me rabiscar

Quando tocar no futuro
Prometa a ti mesmo ser eterna
Me acomode no escuro
E me tranque na caverna.

Quando errar os mesmos erros
Me faça ser a culpada
E depois do meu enterro
Jogue as cinzas pela sacada.

domingo, 15 de maio de 2011

Infinito

        Dobrei algumas esquinas com os olhos tensos a sua procura em cada curva que fitava. Dobrei folhas de diversos tipos de papel a fim criar algo criativo e mágico que me fizesse entregá-los em suas mãos. Dobrei os braços em torno de travesseiros, em torno de mim mesma, tentando senti-la bem rente à mim. Cortei fitinhas coloridas para laçar presentes que desejo lhe dar. Cortei o dedo só pra choramingar e você desejar vir assoprar. Cortei seu coração uma vez, consequentemente acabei cortando o meu, mas fiz questão de juntar tudo no lugar novamente. Só para não perder o costume, me perdoa rs.
         Distância vem e arranca a flor do meu quintal limpinho. Ninguém explica o momento e a essência. O que fazer? Amor, tua voz não cala dentro de mim. O céu apagado, e tu sempre longe. Na sombra impenetrável o meu amor cresce. A saudade fica, como estátua rígida de um destino adormecido, e porque a dor viaja angustiada em horas dentro de mim? Vai e volta até a última linha da corda enroscada em minha garganta.
        É o amor que quando se vai, deixa de si o próprio ser. Deixa meu nome escondido em águas obscuras, e nas bordas do teu pensamento, deseja sussurrá-lo no vento soturno que balança as cortinas, trazendo as desoladoras intenções da infelicidade.
        Quero ver-te na janela do tempo, na paisagem do nosso olhar, incendiando-nos num vespertino silêncio. Na paisagem transparente adormecer na pausa, tão perfeitamente dentro do sono azul e laranja das tardes que tardam a acontecer. Quero que nossos olhos cantem, na doce canção do nosso olhar.
       Eu sei como pintar o caminho expansivo e destinado a você, criar novos sons do coração, e fazer com que os ouça. Fazer-te-hei o algodão úmido, estancando vazamentos das fontes cálidas que jorram de Minh’ alma o sangue de cor enferrujada.
      As cenas passam diariamente em minha cabeça, cristais saltando dos teus olhos, fazendo do teu corpo uma escultura brilhante e líquida.
     Salve-me da impossibilidade do fim da escuridão das dúvidas, dos buracos do universo, das explosões divinas e das luzes puritanas.
     Você não possui o infinito todo, mas você possui todo o infinito de mim.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

All



Let me see your sinal inside you
Let me see your smile inside me
Let me see the sky inside of your heart
Because I need you all the time
Because I love you all the time
And I scream for you, for all long night
For all long night
So today turn out the lights
So that I see your heart shining for me
Your heart shining for me.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Como deves matar-me

      Um dia irei passar a tarde toda num jardim e com um saco bem grande vou colher todas as rosas que eu puder, chegando em casa, vou encher de pétalas os lugares por onde caminhas quando adentras em nosso lar, fazendo-te percorrer o caminho até a vossa cama no quarto, aquela cuja nos faz cair adequadamente no pecado lindo em que os arrepios são constantes, chegando lá, tu encontraras uma mulher apaixonada, completamente entregue a ti, esperando seu olhar em ressaca contra os meus olhos apreensivos e transbordando delicadamente um tom vermelho.
       Teu sorriso incandescente que querendo não totalmente querer acabou por me hipnotizar. Teus lábios estalando contra os dentes que o raspam, a saliva escorregando e escalando em seguida a garganta turbulenta. teu corpo dolorido em virtude da rotina de trabalho, desejando deitar-se sobre e calar-se delicadamente sobre o meu, que range nos lençóis, e grita, abafando o som da sua pele. O suor representando as lágrimas de suas curvas cálidas e tensas. O encaixe feroz dos órgãos enlouquecidos, molhados e tesos. Desejo que morde a própria boca pra não sentenciar os olhos escorridos praticamente condenados que novamente estão chorando.
      Ahh saudade, o que fazer? O que fazer? Um dia irei com as mesmas rosas enfeitar o túmulo em que a distancia será sepultada, e no mesmo jardim plantaremos novas rosas, regadas com as mesmas lágrimas e hoje iluminadas com o mesmo sorriso, vigiadas com teus mesmos olhos verdes em furiosa calmaria se assim for de agrado pessoal. Ahh me deixe acrescentar, que a ti permito que regue meu corpo com a mesma saliva, e a mim permito que cultives o tal enorme prazer de que me refiro em certas partes descrevidas, prazer que vagarosamente recebo ao sentir o gosto sagrado, único, quente, úmido doce que se perde em minha boca, o tal tudo que és, que tens, que guardas, que gemes, que escondes, apenas sussurra que deseja matar-me . Ahh me deixe morrer, morrer de prazer, morrer de você. Mate-me, mate-me dentro de mim.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Esperança


Ela voava para o meu agrado interno                                                                       
Suas asas tapavam o sol laranja e poente                                                           
Migrava pelas nuvens desde o inverno                                                                            
Cavando o solo particular do meu ventre             


Pousou cravando os pés nus na terra nobre                                                                      
E se fazia de ouro seus passos secos e pobres                                                                 
Dobrou os joelhos comidos sobre o faminto chão                                                         
Batendo a minha porta com as costas das mãos


Meus olhos escorriam luz, meu beiço rachado tremia                                                           
A pele incolor e gélida sangrava                                                                            
Somente em poucas preces eu a sentia.

Chegado o verão, finalmente com clareza a vi                                                                    
O cálice de fé quente lhe entreguei                                                                                       
Das sagradas asas fez-se um leito, dormi.