O encontro de dois astros, dividindo o mesmo céu, o espaço infinitamente igual, o mesmo par de estrelas em cada letra das palavras, os olhos mortos, as vidas opostas, então se olham e atravessam o estado espiritual, e o ser mais duvidoso enxerga por dentro dos sentidos, e volta a viver apenas por acreditar que ama. Mas além de tudo, ama as palavras, pois delas o que surge é a mais bela construção de amor.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Recusa
Não poder destruir, ver o tempo fluir. Cair e permanecer ali, tomar as cores do chão, mais ninguém pisou nele, e hoje nem você. Um universo com asas, quebradas. Uma história de amor roubada, pelos ventos traiçoeiros que giram invisíveis no passado tão eloquente, e agora, ausente de mim, nem sonhar me aproxima das quedas dos prédios. Tenho vontade de ir até o fim, até o chão mesmo, mas de uma queda proveitosa, não é necessário a visão dos ossos, só quero a alma exposta, não vale mais que uma gota de chuva, logo menos ela desaparece e se torna a única decoração de casa. Sem móveis careiros, somente o cinza de esquina, a flor morta e sem aroma. Os brincos pequenos, cortam-me as orelhas. Tudo que diz, absolutamente tudo, não ouço.
Nos matei, e sim, dor lenta, berros que também não ouvi. Agora, o senhor das horas, filho de Deuses poderosos, parado e surpreso, num só sopro movi areias que jamais haviam sido movidas. Toquei no extremo orgão de seu espírito. Não há conforto para os vivos, os sábios tão estúpidos que amam. Não há resposta para mim, morri hoje e mal sei quem sou, e no fim do dia não saberei nem da vida, do que se trata e se faz bem, já que os motivos pra se gostar dela estão todos nesse teu ser que está indo, e não pra de ir...
domingo, 16 de outubro de 2011
Chuva
Fácil de expelir os sais de sua alma
Escorre desesperadamente na pele
Me deixa sem cor quase sem vida
Um martírio silencioso dentro de mim.
Quando anjos choram
Você, anjo chora, implora
O meu contentamento inerente
Perdida com asas rompidas.
Arrependo-me das marcas dilaceradas
Te causei o inferno quando neguei o céu
Caiu por ladeira nos teus cristais doces
Um pranto que lhe entreguei com vil intolerância.
Se perder, cegar-me com teu clarão
Então não mereço mais tua pureza
Pois recuso que perdoe-me se não ver
A luz intensa do amor que tem e entrega.
Se não posso mais te prender
Te deixar voar e ver que há algo
Que não se esconde de ti, está bem próximo
Agarro-me nas paredes de tua alma e ajoelho.
Peço a mim com severa punição
Teu perdão por amar e não
Sofrer quando é devido
Por vezes não ser as portas do seu paraíso.
Te coloco na minha angústia
Nas linhas tortas de minhas mãos
E mesmo que liberte suas cachoeiras
Não abandonarei teus lindos olhos que me refugiam.
Durante todos os fracassos
Você esteve aqui, dentro de mim
E sua voz permaneceu na minha inocência
Enquanto sua fé movia todos os meus sonhos.
Não permito sua saída definitiva
Não pode abandonar nossos anseios
Pois quando não estiver contigo
Você estará comigo.
Aqui, agora, pra sempre.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Circo
A mágica
Que encanta
Pura donzela, quase santa
Nas fileiras de panos encantados
Expectadores surpresos, ludibriados
No som, feito hino cheio de chicotes, risos e temores
Existem gritos repletos de minhas senhoras e meus senhores
Aqui onde todos são os palhaços mágicos ilusionistas e as ilusões
Vos convido para estrelar no surreal e humano circo sórdido das emoções.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Farol
Eu me dei conta do que não sei sobre você,
Do que não existe fora de mim
E de repente, descobri que sei mais do que pensava
E disseram, aqui, que você fez um novo dia pra mim
A rota do seu destino se ascendeu
E tornou o meu farol dispensável
Pois até a luz de emergência veio a quebrar
Estava perdida no azul marinho gelado
Meus gritos diziam pra continuar a viver
Busque-me, porque agora eu ascendi também
Nem um objeto seria mais valioso do que eu,
Já que agora não existe algo que me apague
E o meu vidro quente quebrou-se
Mas meus gritos estão tão gélidos quanto o azul
Afundarei se não me encontrar
A vida só será eterna enquanto o amor nos ressuscitar
Venha de volta mesmo com outras luzes apagas
Com o frio que atravessa as velas rasgadas
E não importa em quantas rotas nos encontrarmos
Só queria poder unir o por do sol ao teu sorriso cheio de estrelas.
Só queria poder unir o por do sol ao teu sorriso cheio de estrelas.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Batimento
Esses meu olhos
Condenam meu sentimento por ti
Meus dias são a jornada
Caminho de sangue quente até você
Eu vou voar durante cada noite
Quero a estrela e tua lua mais luminosa
Ser sua paz e até luxuria de amor
E invadir o esconderijo do teu céu
Eu não me movo mais
Desde que você encostou a porta
Todas as horas estão perdidas
Sinto ainda o ponteiro preso na maçaneta
Não quero precisar de mais nenhum jogo
Não devo ser a derrota do teu
Eu quero ser a conquista dos teus lábios
E se eu cair, que haja um poço branco da tua luz
Nada é tão musical quanto os agudos de tua voz
Eu poderia ser a sua melodia
Então cante todos os dias
Pra que eu viva em seus melhores sons
Tem de mim a terra viva
Os olhos aflitos e acesos
Coração selvagem e regado
Corpo de vidro maciço
Das aguas do teu céu
Só jorram os cristais da alma
E suas pupilas encharcadas
Choram as gotas azuis
Em sua vida eu me ajoelho
Em seu nome eu me apresso
Em seu destino eu tropeço
Então me seguro em você
Depois da queda
E do sono cheio de dor
Ele chega, golpeia-nos
Sutil nos sonhos eternos
Incapaz de nos matar
O amor, das vidas entregues
Matou o que era frio e calado
E levou ao céu a batida do nosso coração.
Desejo amplo
Eu vou estar com você
Buscar seus sonhos pra realizar os meus
E tirar esse medo que me consome todos os dias
E se nunca conseguir?
E se nunca progredir?
O que serei de mim se o resto que eu tenho é só seu
Nem o ar é tão meu quanto é tanto seu
Eu preciso mais de você do que já precisei de mim
Eu quero seu sorriso na minha janela
A sua boca no meu espelho
As suas palavras nos meus livros
Eu quero ser seus dias e suas noites
Suas histórias e seus sonhos
Quero estar em cada movimento dos teus olhos
E em cada paz depois de todas as guerras
Você precisa dizer que está
Dizer que sempre será
E gritar que vai
E depois de tudo isso
Só precisa ouvir que estarei
Que sempre serei
E gritarei também que vou
Só precisar ouvir também
A nossa frase mais viva
De alimento, de ar, de sangue
E o que sobra é o que há mais
Todas as cores e flores de amor.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Cinzas
Quando quiser aparecer
Me faça retornar
Quando pedir pra não me ver
Me faça te encarar
E quando o sol aparecer
Me faça queimar
E quando o cérebro ferver
Me faça evaporar
Por você eu faria todo dia
Pegaria a chama no teu olhar
E por você eu morreria
Eu morreria devagar
Quando brigar sem razão
Eu juro que não vou ligar
Me faça ser o portão
E pode me rabiscar
Quando tocar no futuro
Prometa a ti mesmo ser eterna
Me acomode no escuro
E me tranque na caverna.
Quando errar os mesmos erros
Me faça ser a culpada
E depois do meu enterro
Jogue as cinzas pela sacada.
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