
O encontro de dois astros, dividindo o mesmo céu, o espaço infinitamente igual, o mesmo par de estrelas em cada letra das palavras, os olhos mortos, as vidas opostas, então se olham e atravessam o estado espiritual, e o ser mais duvidoso enxerga por dentro dos sentidos, e volta a viver apenas por acreditar que ama. Mas além de tudo, ama as palavras, pois delas o que surge é a mais bela construção de amor.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Inferno

quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Vazio

Eu perdi sem possuir
Ganhei dor sem sentir
Você me segurava tão feliz
Mas construiu seu sonho longe demais
Tão longe que me deixou sem sono
Deixei a luz apagada, mas meu coração está aceso
Sangrando gelo pelo suor
Nossos dias foram sobrando nas semanas
A única coisa que faltava eram seus vestígios
Tudo vem me dizer que você se foi
Mas porque ainda te vejo na minha janela?
Ou será que é meu espelho?
Por ser tão parecida com você
Deus me fez ver você no reflexo
É vazio quando aborto as pessoas da minha vida
Pois eu só consigo transbordar quando me encho de você
Frio se fez quente quando as estações se uniram
E elas no fim do dia me fizeram finalmente dormir
Eu pude sentir tudo, o vento que me arrastou
E me levou sobre a grama cinza
Então eu respirei, gritei, e morri.
Morri em você, dentro de mim.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Alguém
Como um tiro
No escuro, claramente invisível
No frio, quente e vazio
No silêncio, gritando tristeza!
Como um objeto
Gigante em meu bolso
Fazendo o meu gosto
Com mil utilidades reaproveitáveis
Como um desvio
Pecando em novos caminhos
Relembrando novidades
Criando cores de humor
Uma porta entreaberta
De madeira para o ódio
Fechada pra estranhos e horrores
De aço para todo seu amor.
domingo, 26 de setembro de 2010
Concepção
E vou abraçando a insegurança. De vez em quando brincando com a infantilidade, mesmo não suportando-a. E quando a intensidade aumenta eu vou acordando a preguiça, mas jamais consegui tirá-la debaixo do meu travesseiro.
Agora inauguro meus sentimentos. Não podemos cuspir em meros pratos furados, dizendo que existe um tipo. Não escolho alguém para me declarar a parede durante a noite, nem alguém para sofrer opcionalmente.
Simplesmente bate a porta,e nessas horas todos são receptivos, pois acreditam que seja o amor que lhe procura. Não tem olhos, ouvidos, opinião, apenas um coração que não sabe e não controla as escolhas mais sensatas, pois as coisas complicadas são os nós que insistimos em arrancar da garganta, e amarrá-los no coração.
Acabamos por ser enforcados, não podemos fazer nada além de agradecer, e é claro sempre no ultimo momento de razão, pois temos os dois melhores presentes dentro de uma única caixa inexorável.
A vida e o amor.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Humano
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Poesia
Olhos acesos para dormir
Com rostos, perfis, sem discutir
Ao lento movimento, as mãos
Direitas, puxam o gatilho, se aproximam
Desperta do sono vem ao encanto
Desfruto das folhas caindo, outono
De gotas de riso, escorre o orvalho
Ao rir do próximo, e eterno amado
Te joga, te cospe na água
Com os lábios, vem a prova
Não estraga, te bebe, quase nada
Nas folhas, os versos de tudo
Em sua alma não governa meu mundo
Pedidos, em mim dentro, perdidos
Que sobre o rastro de vista
Te olho, de quando em visita
Te chora, por dentro que grita
Amor que encosta e habita
Não se sabe aonde vai, ou se fica
Construi a magoa na areia
Tempestade empurra, maré vem cheia
Inundam suas linhas mais finas
Descostura, assassina a menina
Intenso é o vento que encobre
Balança, enriquece meu coração pobre
Engana que pensa, o breve, passageiro
Pois ainda sopra, guiando o veleiro
Em mar escuro há certa magia
Enfim naufraga, engasgada na ilha
Há mato, azul céu e calmaria
Onde lá encontro paz e alegria
Eu vou, abraço o sol
E sozinha, beijo a poesia.
Lua

Abra a porta, Branca
Esclareça para mim
Feche os braços, abra os olhos
Empurre minha maçaneta
E gire a minha cabeça
Aperte a madeira
Até a farpa enroscar em minha pele
Devagarzinho puxe com a tesoura
Os cortes de quando eu beijei o vidro
Apague os desenhos do meu corpo
Porque dói de mais deixá-los ao sol
Pois arrancaram minhas janelas
E meu teto não é revestido
Amarraram-me a um colchão de papel
E furtaram minha alma
E o sol foi sucumbido
Deixando você somente do outro lado
E agora ele queima sem parar
Castiga-me por traí-lo
E me culpa por te amar
Branca, só sei gritar, chorar
As suas crateras não são defeitos
São esconderijos que me tiram dessa dor
Meu corpo geme sem parar
Devolve minhas janelas para eu te olhar
O seu crescer, diminuir, encher
O sol pode ser forte, imenso, caloroso
Mas impossível de se olhar
Mas as suas fases, a sua cor, todos podem ver
Eu te olho nos olhos, só eu sei admirar você
Ahh Branca não salve todos, me salve do sol
Não ilumine todos, me ilumine agora
Não ame todos, Branca seja minha, pra sempre.