sábado, 21 de agosto de 2010

Assim

Assim:
Quando o céu carrega as nuvens para o outro lado
Quando seu sorriso me pega ofegante no calor
Eu jurei não te amar novamente
Mas as nuvens voltaram e abriram meu coração
Como se toda paixão fosse nova
E cada beijo seu fosse melhor
A cada distância que me levo
Mas próxima estou do som
Das luzes que seus olhos transmitiam
Das melodias que te faziam dançar
Do cabelo que roçava meus panos
Do cheiro da saudade que tinha.
Porque sempre nas noites que surge arrependimento
Eu construía uma ponte incolor até você
E sofro até poder te ver aqui
Eu corro pra não fugir, chegar a cores, viva.
Branco e preto são opostos do que você me faz sentir
Mas minha alma precisa demais de ti
Se de mim, o seu destino usufruir
Seja breve se preferir
Porque na demora de seus passos
Em curto ou longo caminho
Destino que seja, clamando seu nome
Espero meu amor, que grite por mim
Enquanto acordada posso estar
Pois gritos em noites de sono afastarão você de mim.

sábado, 7 de agosto de 2010

Amiga




parece como o céu em bilhões de anos atrás
feito com suas raízes mais belas
formando todos os meus sonhos
que me fazem buscar pela esperança em vozes idolatradas
o único som que escutarei em suas palavras
é o mesmo que bate e pulsa em seu coração
que reluz em seu mais sensato sorriso
as lágrimas não combinam com seu tom de pele
por que em meus olhos você é a pureza que desejam encontrar
pode não ser para todos
mas para mim já basta
que existam grades constantemente encadeadas em sua vida na minha
e que a única coisa que padeça
seja sua tristeza dentro de nós
e que cada passo que desenha o caminho
seja o destino que mais lhe fascina
pois que assim seja minha garota
venha unir-se a mim a fim de encontrar
o talvez impossível pote de ouro
não aquele do outro lado do arco-íris
mas na face nossa do espelho
não creia em mágica em relação a isso
mas creia em meu amor
estampadonas janelas de todas as casas
onde jamais você conseguiria ver
o fundo engarrafado de solidão
que ao meu ladovocê jamais irá encontrar
porque minha vidalhe serve de agradecimento belo e eterno
crie a musica em minha alma
e eu lhe entregarei minhas sinfonias
que rangem pelas beiradas
em um som agudo e tremulo
Cantando todos os momentos assim
"Minha garota, eu te amo
nos mais belos versos sonoros."


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sobra

Em meio a tanto barulho

Pude ouvir seus lábios calarem meus gritos

A multidão te observa como ser supremo de admiração

Como eu tão calada e escondida entre as sombras

Consegui ser sua escolha para o caminho da luz

Se mal me aceito entre os tais mais inferiores ainda

Como pode dizer que sou o completo para o que lhe falta

Se quando a noite canta, me nego a participar do show

E você acredita que na manhã sempre eu vá mudar

Imagine quanto custaria a você alterar todo esse sistema

Reflita quando eu digo que não há possibilidades

O que reside em minhas raízes é o gosto que a terra tem

Que me fez acostumar com a rotina dos muros sujos

Dos lares humildes, das janelas mais esperançosas

Dos motins por algo quente, algo limpo

Não tente coagular o que escorre em mim

Sacrifício é algo que não me atrai mais

É como escalar suas montanhas mais geladas

Chegar ao topo ver o sol do futuro nascer

E derreter meus pecados, minha tristeza

Quantos dias serão adicionados em seu calendário?

Conte todos, exceto aqueles em que eu estava presente

Porque na verdade eu nunca estive.

Sou seu fantasma favorito, seu fã escravo e assíduo

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Excesso


Por que esperar?
Se sei que você não vem
Pra que chorar?
Se sei que você não vai secar minhas lágrimas
Já é tarde pra esperar sua atenção


Já respirei bastante sua ingratidão
Hoje me faltar ar pra falar de mim
Você tirou tudo que tinha
Só deixou seu silêncio


Sempre será um sorriso a menos em meu rosto
Uma fonte a mais em meus olhos
Um desperdício a mais de palavras
E minha única chance de ter certeza


O que acontece quando queremos mais?
O coração ignora seu senso de direção
E desaba em suas ações precipitadas
Não mais bate, discretamente explode.

sábado, 17 de julho de 2010

Portão


No meio da noite eu te buscava entre as cores da parede. Vi entre elas o formato das grades do portão da sua casa.


Durante minhas buscas, meus braços me davam a impressão de que meu trabalho que eu insistia em concluir,nunca iria se realizar. Jamais passaria daquelas suas grades, a não ser que eu fosse gentilmente convidada. Acredito que não.


Deslizam-se dias. O portão já não e tão vermelho comparado com a ultima visita que eu havia feito. Mas meu trabalho dependia dele, de escancarar-se pra mim. Por bem ou por mau.


Onde estou quando não trabalho em você? Pra ser sincera fico em casa esperando para procurar novamente nas paredes.


Parece loucura quando te quero, porque sempre estou me ostentando, pra ser perfeita futuramente talvez em seus olhos. Inexorável portão que me nega de você.


Quando, e se um dia me convidar com esses seus olhos para entrar em seu humilde lar. Não ofereça água, chá, muito menos café. Sugiro apenas que me ofereça um canto, uma esquina de parede, onde eu possa te olhar, mas dessa vez irá saber que sutilmente lhe observo. Num instante de sonho profundo seus braços irão dar descanso aos meus, irão balançar em minha direção ao som de um piano que canta em nossos pés, que nos faz deitar, diante de seu palco mágico repleto de estrelas, os assíduos espectadores de um show noturno.


Parte de mim se rebela ao tocar seu rosto, cada gota de calor, suava intensamente em seus contornos montanhosos. Por que sim? Diz você diante de tudo que eu questionasse sobre o amor.


A partir de tal momento surgiu esse seu portão vermelho. Desse seu jeito de querer bloquear tudo, esconder-se, proteger seu lar, excluir de mim, de todos.


E não é apenas porque sim! Na verdade, o amor te assusta, o amor é superior a você. Seu desejo é ser maior, magnânima, mais forte até que ele.


Sua imagem diz que nada te infecta, nada te sujeita, pois criou o portão. Feito de lava de vulcão. Que tanto queimava em mim, fez de eruptivo meu coração. Agora endureceu, não é mais meu. É apenas decorativo, assustador, pra quem passa em frente em clima de paisagem, numa terra quente de sol. É verão quase sempre, pediram sem querer pra que fosse assim. Pena que não sou chuva. Poderia cair constantemente em você, pra te desfigurar, corroer. Pra que não me aflija mais do que jamais mereci.


Mas ainda é um portão. Esse é meu trabalho, que depois de me despedaçar mais do que pude. Agora me sinto predestinada para concluí-lo. Atiro minhas armas espirituais, junto com meus braços, meu corpo brilha munido de uma força sobre-humana que me surge. Suscito um toque que arranca as grades da terra, que começa a ferver novamente, me faz gritar num estado doentio, queimando-me mais uma vez. Sem ser convidada, já não preciso, o portão já faz parte de mim. O vulcão está habitando minhas novas cicatrizes. E seu coração bate naquele canto do lar, tão transparente como água, tão quente como um chá, tão forte como café. Vem-me a sede.


As paredes agora têm seu formato visto de tão perto e tão original, que antes era ofuscado pelo portão. Brilha em mim, obedecendo à dona da beleza que habita o céu eternamente pelos nossos verões, e se declara para o leito da noite fazendo seu amor ser maior que a si mesma. Sem medo, ou intervenções.


Quem diz que me olhou apenas por uma noite que seja, afirma o quão busquei você aqui. Meu trabalho finalmente foi concluído. Te tenho comigo. Sem grades, liberdade dentro do seu antigo, e meu novo lar. Onde meu corpo sem escrúpulos chorava.


E você que eu tanto procurava nas noites, soube me colocar junto com as cores na parede. Durante toda minha vida. Eu não sei quanto tempo vou ter, vou ficar. Sem dor, só passado pintado, de vermelho. Em vida, em sangue, em fogo, seu lar. Meu destino.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Conjugue-me

Complete-me no cantar das minhas angustias
Chore-me no meu ultimo suspiro
Cubra-me na minha primeira noite de frio
Engana-me durante as noites de amor

Molda-me nos sinais de sua alma
Observa-me em todas as vidas escuras
Cega-me em cada olhar seu
Transborda-me em lágrimas mortas

Reflicta-me em seu espelho mágico
Suga-me em suas bebidas quentes
Construa-me em seu coração
Corte-me das suas veias

Queime-me nas suas intenções amigáveis
Arda-me em cada chicotada uniforme
Arraste-me em seus rangeres espirituais
Odeie-me em seus resquícios de amor.