domingo, 26 de setembro de 2010

Concepção

Ao se aproximar, por um instante de vento em meus olhos, sinta que ainda falta-me um pedaço, que espera por alguém, onde eu possa soprar e sentir o ar cobrir ambos os corpos. Eu poderei lhe mostrar os prazeres mais embriagados, as sensações mais estimulantes, e o amor mais difundido. Vejam todos aqueles que me encobrem enquanto eu fujo.
E vou abraçando a insegurança. De vez em quando brincando com a infantilidade, mesmo não suportando-a. E quando a intensidade aumenta eu vou acordando a preguiça, mas jamais consegui tirá-la debaixo do meu travesseiro.
Agora inauguro meus sentimentos. Não podemos cuspir em meros pratos furados, dizendo que existe um tipo. Não escolho alguém para me declarar a parede durante a noite, nem alguém para sofrer opcionalmente.
Simplesmente bate a porta,e nessas horas todos são receptivos, pois acreditam que seja o amor que lhe procura. Não tem olhos, ouvidos, opinião, apenas um coração que não sabe e não controla as escolhas mais sensatas, pois as coisas complicadas são os nós que insistimos em arrancar da garganta, e amarrá-los no coração.
Acabamos por ser enforcados, não podemos fazer nada além de agradecer, e é claro sempre no ultimo momento de razão, pois temos os dois melhores presentes dentro de uma única caixa inexorável.
A vida e o amor.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Humano

De onde partiu?
Quando foi real?
O que é verdade?
O que não é mentira?


Tempo de se importar já se foi
Tempo de realizar não existe
Não finja que ouviu
Ninguém pretende querer


Nunca foi tão forte
Ser sempre tão falso
Assim como o tudo em nada
Que acredita em conseqüências


Quem é sua ajuda?
Talvez o coração, que o mantenha vivo
E quem é seu coração?
Talvez o humano, que lhe faz morto.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Poesia

Olhos acesos para dormir

Com rostos, perfis, sem discutir

Ao lento movimento, as mãos

Direitas, puxam o gatilho, se aproximam

Desperta do sono vem ao encanto

Desfruto das folhas caindo, outono

De gotas de riso, escorre o orvalho

Ao rir do próximo, e eterno amado

Te joga, te cospe na água

Com os lábios, vem a prova

Não estraga, te bebe, quase nada

Nas folhas, os versos de tudo

Em sua alma não governa meu mundo

Pedidos, em mim dentro, perdidos

Que sobre o rastro de vista

Te olho, de quando em visita

Te chora, por dentro que grita

Amor que encosta e habita

Não se sabe aonde vai, ou se fica

Construi a magoa na areia

Tempestade empurra, maré vem cheia

Inundam suas linhas mais finas

Descostura, assassina a menina

Intenso é o vento que encobre

Balança, enriquece meu coração pobre

Engana que pensa, o breve, passageiro

Pois ainda sopra, guiando o veleiro

Em mar escuro há certa magia

Enfim naufraga, engasgada na ilha

Há mato, azul céu e calmaria

Onde lá encontro paz e alegria

Eu vou, abraço o sol

E sozinha, beijo a poesia.

Lua


Abra a porta, Branca

Esclareça para mim

Feche os braços, abra os olhos

Empurre minha maçaneta

E gire a minha cabeça


Aperte a madeira

Até a farpa enroscar em minha pele

Devagarzinho puxe com a tesoura

Os cortes de quando eu beijei o vidro


Apague os desenhos do meu corpo

Porque dói de mais deixá-los ao sol

Pois arrancaram minhas janelas

E meu teto não é revestido


Amarraram-me a um colchão de papel

E furtaram minha alma

E o sol foi sucumbido

Deixando você somente do outro lado

E agora ele queima sem parar

Castiga-me por traí-lo

E me culpa por te amar


Branca, só sei gritar, chorar

As suas crateras não são defeitos

São esconderijos que me tiram dessa dor

Meu corpo geme sem parar

Devolve minhas janelas para eu te olhar

O seu crescer, diminuir, encher
O sol pode ser forte, imenso, caloroso
Mas impossível de se olhar

Mas as suas fases, a sua cor, todos podem ver

Eu te olho nos olhos, só eu sei admirar você

Ahh Branca não salve todos, me salve do sol

Não ilumine todos, me ilumine agora

Não ame todos, Branca seja minha, pra sempre.

sábado, 21 de agosto de 2010

Assim

Assim:
Quando o céu carrega as nuvens para o outro lado
Quando seu sorriso me pega ofegante no calor
Eu jurei não te amar novamente
Mas as nuvens voltaram e abriram meu coração
Como se toda paixão fosse nova
E cada beijo seu fosse melhor
A cada distância que me levo
Mas próxima estou do som
Das luzes que seus olhos transmitiam
Das melodias que te faziam dançar
Do cabelo que roçava meus panos
Do cheiro da saudade que tinha.
Porque sempre nas noites que surge arrependimento
Eu construía uma ponte incolor até você
E sofro até poder te ver aqui
Eu corro pra não fugir, chegar a cores, viva.
Branco e preto são opostos do que você me faz sentir
Mas minha alma precisa demais de ti
Se de mim, o seu destino usufruir
Seja breve se preferir
Porque na demora de seus passos
Em curto ou longo caminho
Destino que seja, clamando seu nome
Espero meu amor, que grite por mim
Enquanto acordada posso estar
Pois gritos em noites de sono afastarão você de mim.

sábado, 7 de agosto de 2010

Amiga




parece como o céu em bilhões de anos atrás
feito com suas raízes mais belas
formando todos os meus sonhos
que me fazem buscar pela esperança em vozes idolatradas
o único som que escutarei em suas palavras
é o mesmo que bate e pulsa em seu coração
que reluz em seu mais sensato sorriso
as lágrimas não combinam com seu tom de pele
por que em meus olhos você é a pureza que desejam encontrar
pode não ser para todos
mas para mim já basta
que existam grades constantemente encadeadas em sua vida na minha
e que a única coisa que padeça
seja sua tristeza dentro de nós
e que cada passo que desenha o caminho
seja o destino que mais lhe fascina
pois que assim seja minha garota
venha unir-se a mim a fim de encontrar
o talvez impossível pote de ouro
não aquele do outro lado do arco-íris
mas na face nossa do espelho
não creia em mágica em relação a isso
mas creia em meu amor
estampadonas janelas de todas as casas
onde jamais você conseguiria ver
o fundo engarrafado de solidão
que ao meu ladovocê jamais irá encontrar
porque minha vidalhe serve de agradecimento belo e eterno
crie a musica em minha alma
e eu lhe entregarei minhas sinfonias
que rangem pelas beiradas
em um som agudo e tremulo
Cantando todos os momentos assim
"Minha garota, eu te amo
nos mais belos versos sonoros."


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sobra

Em meio a tanto barulho

Pude ouvir seus lábios calarem meus gritos

A multidão te observa como ser supremo de admiração

Como eu tão calada e escondida entre as sombras

Consegui ser sua escolha para o caminho da luz

Se mal me aceito entre os tais mais inferiores ainda

Como pode dizer que sou o completo para o que lhe falta

Se quando a noite canta, me nego a participar do show

E você acredita que na manhã sempre eu vá mudar

Imagine quanto custaria a você alterar todo esse sistema

Reflita quando eu digo que não há possibilidades

O que reside em minhas raízes é o gosto que a terra tem

Que me fez acostumar com a rotina dos muros sujos

Dos lares humildes, das janelas mais esperançosas

Dos motins por algo quente, algo limpo

Não tente coagular o que escorre em mim

Sacrifício é algo que não me atrai mais

É como escalar suas montanhas mais geladas

Chegar ao topo ver o sol do futuro nascer

E derreter meus pecados, minha tristeza

Quantos dias serão adicionados em seu calendário?

Conte todos, exceto aqueles em que eu estava presente

Porque na verdade eu nunca estive.

Sou seu fantasma favorito, seu fã escravo e assíduo